Por João Felipe
No último dia 23 a Academia de Cinema anunciou os indicados ao Oscar 2025, premiação marcada para o dia 02 de março. Ainda Estou Aqui, filme brasileiro dirigido por Walter Salles, fez história ao ser nomeado em três categorias: Filme Internacional, Melhor Atriz para Fernanda Torres e a histórica presença em Melhor Filme, feito inédito para o país.
No decorrer do ano o calendário de festivais dá a oportunidade dos filmes se apresentarem para diversos públicos, servindo de visibilidade e reconhecimento mundial. Entre os mais famosos, Cannes, Veneza e Berlim são palcos para estrelas e profissionais terem acesso a produções de todos o mundo. O acervo brasileiro de filmes que rodaram por essas competições é recheado de ótimas opções. A seguir, alguns filmes que embora não chegaram ao Oscar, fizeram ótima performance internacional.
AQUARIUS
A ótima parceria entre a renomada Sonia Braga e o diretor Kleber Mendonça Filho rendeu duas boas obras para o cinema, uma delas é Aquarius. A trama segue Clara, jornalista e viúva, dona de um apartamento o qual se torna o principal alvo de uma construtora, interessada em destruir o condomínio e erguer um novo negócio. Clara será assediada pelo representante comercial e pela família para desistir de lutar pelo imóvel.
Kleber utiliza muito do discurso político que implementou no loga anterior, O Som Ao Redor (2013). Explora o afeto, o nostálgico, a resistência ao inimigo, aquele que procura tirar a protagonista de seu conforto, mesclando muito bem o drama com o terror que traz da fonte que bebe, como John Carpenter (Halloween; O Enigma de Outro Mundo).
O longa angariou prêmios de Melhor Filme em festivais na Polônia, Holanda, Austrália, entre outros, e foi indicado a Mostra Competitiva do Festival de Cannes, na França. A atuação de Sonia Braga foi igualmente reconhecida.
BENZINHO
Benzinho procura um olhar mais íntimo de Irene e sua família ao posicionar a mãe de 4 filhos, vendedora e cursando o último período do Ensino Médio no centro da história. Ela se vê presa pela impossibilidade de ir em busca de seus sonhos quando sua irmã, passando por problemas de relacionamento, recorre por abrigo. Além disso, se prepara para a partida do primogênito, chamado para jogar handball na Alemanha.
Há uma dinâmica interessante com os planos que abordam a casa, que parece responder ao desarranjo do seio familiar que vive ali. O filme marcou presença em festivais da Espanha e Portugal.
MARTE UM
Mudanças no cenário político nacional levam uma família humilde a enfrentar novos desafios. Wellington é zelador de condomínio e deposita o futuro da família em seu sonho de ver Deivinho, filho mais novo, jogando futebol profissional. O garoto, porém, tem outros planos, mesmo que se sinta apreendido no desejo de seu genitor. Eunice, filha mais velha, decide que quer sair de casa ao ver chegando as responsabilidades da vida adulta. E a mãe Tércia, passa um por uma situação inesperada que a faz questionar reflexões muito internas de si.
Marte Um define bem o sentimento da família em questão. Um sonho, mesmo que parecendo distante, assim como o planeta vermelho que dá o nome ao título, toma um ar de fantasia muito modesta e sincera de pessoas que, ao se verem em uma realidade complicada, olham para cima, a procura de uma saída. A produção mineira transitou por terras estrangeiras ao marcar presença em festivais nos Estados Unidos, além de ser muito premiado aqui no Brasil.
A VIDA INVISÍVEL
Cores ganham destaque no olhar do diretor cearense Karim Ainouz, mais um nordestino na lista! No Rio de Janeiro dos anos 40, Euridice e Guida, irmãs de personalidades opostas, porém extremamente unidas pelo afeto e admiração entre ambas são pressionadas a se moldarem de acordo com o regime patriarcal adotado dentro de casa, apesar disso, sonham com algo muito maior. Guida decide fugir para a Grécia com o namorado e Euridice almeja a carreira de musicista ao dedilhar lindamente seu piano na sala.
Karim usa as cores em seus filmes para transmitir o lado sentimental, da trama e de seus personagens. Em Motel Destino (2024) a vibração é passada pelo brilho e neon, o calor humano de uma trama sobre envolvimento de corpos. Aqui, essas cores perdem apenas a expressividade, transmitem calmaria, muito por querer fixar o olhar na relação das duas irmãs. A natureza invade aquele espaço, forjado pelas visões de família dá época. Está no distanciamento de um oceano ou de um simples aquário.
Foi por pouco que A Vida Invisível não figurou no Oscar, mesmo assim levou o prêmio do público no Festival de Cannes e foi um grande destaque por todas as competições.
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